carga pesada

Centrais de Flagrantes – A carga está pesada
 

Não é de hoje que “especialistas” em Segurança Pública sentam-se à mesa, por inúmeras vezes para discutir o tema, cuja meta é a busca da redução da criminalidade.

Projeto e projetos são elaborados; criam-se programas e nada acontece. O crime continua imperando em todos os estados, e no Distrito Federal não é diferente.
 

Registra-se aqui uma das maiores taxas de homicídios por número de habitantes.  Ressalta-se, que quando se fala em Brasília não se está falando especificamente do “plano piloto”, mas de todas às cidades satélites, cujo quadrilátero é menor do que de muitas Capitais.
 

Quais serão os caminhos para se atingir uma boa meta, cujo significado não se confunde com objetivos? Meta está relacionada a termos quantitativos, enquanto objetivos refere-se àquilo que se está fazendo para alcançar o resultado (meta). Objetivo relaciona-se a qualidade do trabalho, que muitas das vezes é esquecido em razão do alcance de determinada meta. A pontuação está à frente da qualidade?
 

De tudo se discute, exceto o ponto fundamental dessa relação de combate ao crime: efetivo e valorização do servidor. Esses são os objetivos principais para se alcançar boas metas, mas esse conceito não faz parte daquelas ações imediatas do governo. Buscam-se metas, e não qualidade.
 

Falando especificamente da Polícia Judiciária, representada no Distrito Federal pela Polícia Civil – aquela responsável por dar fim aos procedimentos penais (flagrantes, instaurações de inquérito policiais, termos circunstanciados) – criou-se recentemente as Centrais de Flagrante – concentrada numa delegacia – com o objetivo e atingir uma meta: reduzir os problemas causados pela falta de pessoal e, como forma de incentivo, criou-se dois cargos comissionados, um para o escrivão de plantão, que ao invés de 12 horas estão trabalhando de 14 a 15 por plantão, e outro para o delegado. Ainda na formação desta equipe, estabeleceu-se um número de seis (6) agentes de polícia para compor esta equipe e assim dar cabo ao maior número de demandas oriundas de três ou mais delegacias na confecção de flagrantes, cuja expectativa era dar maior agilidade a esses procedimentos.
 

Na visão dos Administradores esta ação tem apresentado resultados positivos, mas na visão daqueles que estão na linha de frente dos problemas, não é essa a conclusão.
 

O problema do baixo efetivo na Polícia Civil, que tem ocasionados atrasos e mais atrasos nas investigações é denunciado diariamente pelas entidades, mas não se toma de imediato uma solução, como por exemplo, a instituição de concursos, pelo menos, a cada dois anos. São instituídas apenas ações paliativas que logo se afoga.
 

Uma dessas Centrais de Flagrantes está concentrada na 33ª Delegacia Policial, na cidade de Santa Maria-DF, que registra os flagrantes, da 14ª DP e 20ª DP, ambas do Gama-DF, além daqueles da própria delegacia.
 

Segundo os policiais, tudo começou muito bem, mas os dias foram passando e a coisa foi piorando. Dos seis (6) agentes de polícia escalados para cada plantão, hoje se trabalha com apenas quatro (4) e nos próximos dias serão apenas três (3), em razão de afastamentos legais de outros policiais, tais como: férias e licenças médicas (estas em razão da carga excessiva de trabalho por falta de efetivo), para atender a uma população com mais de 200 mil pessoas. Situação como esta está se repetindo nas demais Centrais.
 

Portanto, quando se pensar em projetos ou programas de Segurança Pública, inicialmente deve-se pensar se temos pessoal suficiente para implantá-los. A carga está cada vez mais pesada.
 

Agente de Polícia D´Sousa – presidente da Agepol.


foto: google.